
David nasceu no All Saints Hospital, Bromsgrove, Reino Unido, no Dia de Todos os Santos de 1962. O seu avô, Lawrence Briggs, foi um organista renomado na Igreja de St Jude, Birmingham, durante mais de 40 anos, e algumas das primeiras memórias de David são de se sentar com ele no banco do órgão. Os seus pais eram ambos muito musicais e conheceram-se na Orquestra dos Hospitais de Birmingham.
David foi coralista na Catedral de Birmingham entre 1970 e 1973. A sua voz era apenas mediana (teve apenas um solo em três anos!), mas tinha ouvido absoluto, o que lhe permitia entrar sempre na nota certa. Rapidamente apaixonou-se pelo som do órgão e, quando o organista da Catedral estava ausente, o assistente deixava-o, discretamente, improvisar após o Evensong de sexta-feira. David era frequentemente repreendido por se virar para ver se o organista estava a usar o Trombone de Pedal no final do último hino.
Em 1973, David venceu o concurso de piano da BBCTV, Major Minor, e recebeu uma bolsa integral de música para a Solihull School. Aí aprendeu piano, violino, viola e órgão, e tornou-se perito em evitar o Rugby escondendo-se dentro dos tubos do órgão da Capela. Estudou órgão, harmonia e contraponto com o então organista da Capela, Colin Edmundson, antigo bolseiro Domus do Magdalen College, Oxford. Num período de cinco anos, houve quatro alunos da Solihull que alcançaram o FRCO – algo inédito. David obteve tanto o ARCO como o FRCO ainda na escola, conquistando todos os prémios e a Medalha de Prata da Worshipful Company of Musicians em janeiro de 1980. Também estudou com Richard Popplewell, organista da Rainha, viajando semanalmente até à Chapel Royal no Palácio de St James para ter aulas.
Entre 1977 e 1981, David tocou viola na National Youth Orchestra of Great Britain, tornando-se chefe de naipe no último ano. O amor pela música orquestral permaneceu e inspira muitas das suas transcrições para órgão de sinfonias de Schubert, Schumann, Tchaikovsky, Elgar, Bruckner, Vaughan Williams e Mahler.
De 1981 a 1984, David foi aluno de órgão Dr A H Mann no King’s College, Cambridge, e recebeu também a bolsa John Stewart of Rannoch em Música Sacra. Tocou no mundialmente famoso Festival of Nine Lessons and Carols em 1982 e 1983, perante uma audiência de 35 milhões, e fez digressões pela Austrália, Nova Zelândia, França, Bélgica e Alemanha com o coro do College. Estudou repertório e técnicas de improvisação com Jean Langlais, em Paris, ao abrigo de uma bolsa da Countess of Munster.
Entre 1985 e 2002, David ocupou cargos sucessivos nas catedrais de Hereford, Truro e Gloucester. Em Gloucester foi também maestro do Three Choirs Festival, o mais antigo festival de música do mundo, trabalhando regularmente com a Philharmonia Orchestra. Liderou ainda o coro da Catedral em digressões bem-sucedidas pela Australásia e pelos Estados Unidos. Tanto em Truro como em Gloucester, foi consultor na reconstrução dos órgãos históricos das catedrais.
David vive na América do Norte desde 2003, primeiro em Nova Iorque, depois em Ipswich, Massachusetts (2007-12) e Toronto, Canadá (2012-17). Desde 2017 é Artist in Residence na Catedral de St John the Divine, em Nova Iorque – a maior catedral gótica do mundo. Continua a fazer digressões internacionais como um dos organistas de concerto mais requisitados da sua geração, tocando cerca de 65 concertos por ano.
David é reconhecido como um dos mais renomados improvisadores do mundo. Leciona técnicas de improvisação na Universidade de Cambridge há duas décadas e, além de ter estudado com Jean Langlais em Paris (1984-86), fez um estudo aprofundado das improvisações de Pierre Cochereau, organista de Notre-Dame de Paris (1955-84). Passou onze anos a transcrever muitas das suas improvisações mais famosas de Notre-Dame, várias das quais foram publicadas pela Editions Chantraine e pela United Music Publishers. Cochereau continua a ser a principal inspiração de David como músico, apesar de nunca se terem encontrado pessoalmente.
David é também um compositor prolífico, com mais de 60 obras publicadas pela Chestnut Music. A sua música foi gravada pelo Trinity College, Cambridge, York Minster, os Vasari Singers, Euphony e a Northern Chamber Orchestra. A gravação da Messe pour Notre Dame pela Hyperion foi escolhida como Critics Choice CD tanto pela BBC Music Magazine como pela Gramophone, e já foi interpretada por vários coros nos EUA, Canadá, Reino Unido, Irlanda, França, Holanda, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia, sendo conhecida pela sua linguagem harmónica rica e profundidade emocional.
Notícias

O Coro Polifónico da Lapa manifesta o seu mais profundo pesar pelo falecimento do Maestro Álvaro Cassuto, figura ímpar da música portuguesa, cuja dedicação, sensibilidade e elevação artística marcaram de forma indelével todos aqueles que com ele tiveram o privilégio de privar e trabalhar.
Em 2006, o Coro Polifónico da Lapa teve a honra e o privilégio de colaborar com o Maestro Álvaro Cassuto na apresentação do Requiem de Mozart, em dois concertos memoráveis realizados no Coliseu do Porto e na Igreja de São Domingos, em Lisboa, com o acompanhamento da Orquestra Metropolitana de Lisboa, no âmbito das comemorações dos 250 anos do nascimento do compositor. Essa experiência constituiu um momento de excecional grandeza artística e humana, deixando uma marca inolvidável na história e na vida do nosso coro.
Na sequência dessa colaboração, fomos profundamente tocados pelas palavras que o Maestro dirigiu ao nosso fundador, Cónego Ferreira dos Santos, e a todos os elementos do coro:
"9 de abril de 2006
Meu caro Cónego Ferreira dos Santos,
Não encontro palavras para exprimir a profunda emoção com que escrevo estas linhas!
Não só a qualidade vocal e o profissionalismo do seu magnífico Coro Polifónico, acima de tudo o calor humano que nele se reune e me inspiram, contribuíram para me convencer que o Paraíso não é só um anseio de todo o Ser Humano, mas uma realidade possível no nosso pequeno planeta!
Desde já quero dizer-lhe que tudo farei para voltar a colaborar com o seu Coro. Será não só numa honra, mas acima de tudo um anseio que espero se realize quanto antes!
Entretanto, peço que aceite um forte abraço do seu Amigo e grande Admirador
Álvaro Cassuto
Meus caros Membros do Coro Polifónico da Lapa,
Como já tive a oportunidade de dizer ao vosso talentoso Maestro Filipe Veríssimo, a vossa dedicação, qualidade vocal e, acima de tudo, calor humano, inspiraram-me muito além do que as prosaicas palavras que sei usar conseguem exprimir!
Colaborar convosco foi elevação espiritual e emotiva que me marcou profundamente. Senti-me transportado para um Mundo transcendental a que todos aspiramos e que nos parece inatingível no nosso quotidiano.
Bem-hajam! Deixaram comigo o anseio de voltar a colaborar convosco, que espero se concretize muito em breve!
Entretanto, aceitem os mais efusivos abraços do vosso,
Álvaro Cassuto"

Pouco tempo depois, o Coro foi convidado pelo Maestro para realizar concertos no Algarve, com o Requiem de Domingos Bomtempo, acompanhado pela Orquestra do Algarve. Por motivos de agenda, tal colaboração não se veio a concretizar. Ainda assim, permaneceram para sempre a amizade, o respeito e a estima mútuos. Sempre que o Maestro se deslocava ao norte para dirigir, os elementos do coro faziam questão de marcar presença, como sinal de admiração e reconhecimento.
Neste momento de profunda tristeza, em que fomos surpreendidos pela notícia do seu falecimento, pouco tempo após a realização de três concertos com Requiem de Mozart, não podemos deixar de expressar a nossa mais sincera gratidão por tudo quanto nos deu e pelo inestimável contributo que prestou à música portuguesa.
À família do Maestro Álvaro Cassuto, endereçamos as nossas mais sentidas condolências, associando-nos à sua dor e prestando homenagem à memória de um Homem e de um Músico que jamais será esquecido.
Filipe Veríssimo
FIOMS - Festival Internacional de Órgão e Música Sacra da Área Metropolitana e Diocese do Porto
Founder & Artistic Director
+351916036057
www.fioms.pt

O concerto comemorativo do 10.º aniversário da Orquestra Filarmónica Portuguesa, realizado a 17 de março na Casa da Música, teve como eixo central a Sinfonia n.º 2 “Ressurreição” de Gustav Mahler, retomando uma obra já marcante em 2024.
Sob a direção de Osvaldo Ferreira, o concerto evidenciou a maturidade artística da orquestra e a sua capacidade de renovar uma partitura de elevada exigência, afirmando-se como um dos momentos mais relevantes da temporada.
As solistas Bárbara Barradas e Cátia Moreso destacaram-se pela sensibilidade e solidez técnica, conduzindo os momentos mais introspectivos da obra, sobretudo no final de grande intensidade.
O Coro Polifónico da Lapa, dirigido por Filipe Veríssimo, e o coro da Academia de Música de Paços de Brandão, sob orientação de Catarina Marinheiro, revelaram coesão e expressividade determinantes para o impacto do desfecho.
Este concerto integra um percurso iniciado em 2024, quando a sinfonia foi apresentada em vários palcos nacionais, consolidando-se como uma experiência musical de forte impacto emocional e escala monumental.
Em 2026, a “Ressurreição” assume um caráter celebrativo, assinalando não só a década da orquestra, mas também o poder transformador da música, numa interpretação renovada que reafirma a atualidade e profundidade da obra de Mahler.
Foto de Capa: @nunoseabra_

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.
A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.
O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.
O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.
O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.
A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.
Foto de Capa: @pedro.couto
Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa