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A região do Grande Porto testemunhou um raro momento de confluência artística com a apresentação de um ciclo de quatro concertos dedicados ao Ein deutsches Requiem (Um Requiem Alemão), de Johannes Brahms. Distribuídos entre o Porto, Freamunde, Valongo e Maia, estes encontros musicais ofereceram ao público a oportunidade de reencontrar uma das obras corais-sinfónicas mais emblemáticas do romantismo, interpretada por um conjunto de excelência sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira.

A iniciativa, que reuniu o Coro Polifónico da Lapa, o Coro da Associação de Música Sacra de Braga e a Orquestra Filarmónica Portuguesa, destacou-se pela ambição artística e pela capacidade de levar uma obra de grande fôlego sinfónico a diversas comunidades da região. O soprano Nataliya Stepanska e o barítono Job Tomé completaram o elenco, contribuindo com interpretações de forte intensidade expressiva.

Longe do modelo tradicional, a obra de Brahms assenta numa seleção pessoal de textos bíblicos que procuram refletir sobre a fragilidade humana, o consolo espiritual e a possibilidade de esperança. Essa abordagem, centrada mais na experiência existencial do que na liturgia, exige dos intérpretes uma particular maturidade artística e sensibilidade estética.

Ao longo dos quatro concertos, essa vertente espiritual revelou-se sempre presente. O maestro Osvaldo Ferreira conduziu a Orquestra Filarmónica Portuguesa com uma leitura minuciosamente construída, mantendo um diálogo constante e orgânico com os dois coros envolvidos.

A natureza itinerante do projeto permitiu que cidades com perfis culturais distintos acolhessem um evento de reconhecido nível artístico. Cada apresentação adquiriu, assim, características próprias, moldadas tanto pelas especificidades dos espaços como pelo contacto direto com diferentes comunidades. Em todas, porém, a receção do público foi calorosa, evidenciando a força intemporal da obra de Brahms.

Mais do que quatro concertos, o ciclo configurou um gesto cultural coerente e estruturante, aproximando a comunidade de uma criação monumental e reforçando o valor de iniciativas que atravessam fronteiras municipais e enraízam a música sinfónica em múltiplos contextos. Um marco que abre caminho a futuras colaborações e a projetos de semelhante ambição artística.

Foto de Capa: Iryna Aleshchenko


Masterclasse de Direção de Coro e Orquestra
Entre 23 de outubro e 1 de novembro, o FIOMS (Festival Internacional de Órgão e Música Sacra) promoveu, em parceria com a Orquestra Filarmónica Portuguesa, uma masterclasse internacional de direção dedicada à interpretação do Requiem Alemão, de Johannes Brahms. Orientada pelo maestro Osvaldo Ferreira, a formação integrou sessões teóricas e práticas, culminando numa apresentação pública da obra.

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Foi perante um público caloroso que, na noite de ontem, o Coro Polifónico da Lapa apresentou mais um concerto memorável em homenagem a D. Pedro IV, o Rei-Soldado que mudou para sempre a história de Portugal e do Brasil.

O espetáculo contou com a participação do Coro da Associação de Musica Sacra de Braga, da Banda do Exército (destacamento do Porto), dos solistas Alexandra Quinta e Costa (soprano) e João Reis (barítono), e de João Veríssimo ao piano, sob a direção do maestro Artur Cardoso.

Em conjunto, interpretaram obras de profunda simbologia, que evocam a esperança na vida eterna e a serenidade da morte como passagem. Destacou-se uma interpretação de excelência de Liberation, de David Maslanka (1943-2017) - um cântico de poderosa evocação espiritual. Seguiu-se o sublime Requiem de Gabriel Fauré (1845-1924), peça que nos eleva ao transcendente e nos une numa experiência de profunda comunhão.

A noite, repleta de significado, culminou com a entoação do Hymno de La' Carta de D. Pedro IV (1798–1834), acolhido com uma ovação final cheia de alegria e comoção.

A homenagem foi enriquecida pelas palavras do Padre António José Pereira Leite Júnior, na voz de Agostinho Ribeiro, que proferiu a Oração Fúnebre das Exéquias de S.M.I. o Senhor D. Pedro, Duque de Bragança e Regente de Portugal, datada de 24 de setembro de 1863.

Um momento solene de reflexão sobre os valores que moldaram o nosso passado e que continuam a inspirar o nosso presente.

Vyviane Tavares

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A ''Grande Missa em Dó menor'' de Wolfgang Amadeus Mozart, é uma das suas criações mais ambiciosas no domínio da música sacra. Escrita entre 1782 e 1783, a obra permanece inacabada e envolta em mistério, tanto em relação às razões que levaram o compositor a interrompê-la quanto às circunstâncias exatas da sua primeira apresentação. Ainda assim, a sua grandiosidade e intensidade expressiva fazem dela uma das composições mais admiradas do repertório sacro clássico.

Acredita-se que Mozart tenha começado a compor esta missa como forma de ''promessa ou agradecimento'', possivelmente em consequência do seu casamento com Constanze Weber. A própria Constanze terá cantado a parte de soprano numa das primeiras execuções conhecidas da obra, o que reforça a teoria de que a composição tinha um significado pessoal e espiritual para o compositor.

Em 2025, esta obra monumental voltou a ganhar vida numa série de concertos realizados em quatro localidades do norte de Portugal: Porto, Gondomar, Santa Maria da Feira e Ribeirão. Estes concertos proporcionaram ao público uma rara oportunidade de ouvir ao vivo uma das obras sacras mais sublimes de Mozart.

O elenco de solistas foi composto por intérpretes de reconhecido mérito: Carla Caramujo (soprano I), Alexandra Quinta e Costa (soprano II), Marco Alves dos Santos (tenor) e Tiago Matos (baixo). A prestação vocal foi complementada pelo Coro Polifónico da Lapa, que garantiu uma interpretação emocionante da complexa parte coral. O Mestre Capela da Igreja da Lapa e diretor do Coro, Filipe Veríssimo, assegurou a execussão do órgão, com a mestria que lhe é reconhecida.

A parte orquestral esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, uma das mais prestigiadas do país, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu a obra com rigor e sensibilidade, respeitando o equilíbrio entre o dramatismo barroco e a transparência clássica que caracterizam esta missa.

Estes concertos não só fizeram ressurgir uma das joias do repertório clássico, como também reforçaram o papel das instituições musicais portuguesas na divulgação e valorização do património musical universal. A combinação entre a riqueza da obra e a qualidade dos intérpretes resultou numa experiência artística e espiritual memorável.

A ''Grande Missa em Dó menor'' de Mozart continua, mais de dois séculos depois, a emocionar plateias e a inspirar músicos, provando que mesmo o que fica por terminar pode atingir a plenitude da beleza.

José Seabra


Foto de Capa: Gabinete de Comunicação da Santa Casa da Misericórdia do Porto

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Na tarde do domingo 3 de novembro, após as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos, a igreja da Lapa, no Porto, acolheu, repleta de uma audiência que a encheu até ao Coro, a interpretação da Messa da Requiem de Giuseppe Verdi, por uma conjunto de solistas, coros e orquestra, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira. A associação de três coros (Coro Polifónico da Lapa, dirigido por Filipe Veríssimo, Coro da Associação de Música Sacra de Braga, dirigido por Mariana Certal, e do Coro Pro-Música EMcanto, da Póvoa de Varzim, dirigido por Rui Silva) permitiu uma realização plena da complexa estrutura musical do Requiem, com a interpretação dos solistas Raquel Paulo, soprano, Cátia Moreso, meio-soprano, Sérgio Sousa Martins, tenor e Rui Siva, baixo, com a Orquestra Filarmónica Portuguesa, um conjunto orquestral alargado e complexo, adaptado às características solenes e ao mesmo tempo intimistas da composição de Verdi.

O Requiem de Verdi foi composto à memória do escritor italiano Alessandro Manzoni, autor do conhecido romance I Promessi Sposi (em português com o título Os Noivos), considerado uma obra prima do período romântico e particularmente apreciado por Verdi. O Requiem é uma obra monumental de cerca de hora e meia de duração, seguindo os textos da liturgia dos defuntos do missal romano. Iniciado por uma introdução intimista das palavras do Requiem aeternam, desenvolve-se numa grande variedade de expressões musicais, do sentido meditativo ao aclamativo e denso das palavras, como lux perpetua, salva me fons pietatis, huic ergo parce Deus ou Cum sanctis tuis, Libera me, especialmente valorizadas na interpretação.

O carácter meditativo e intimista que convém à variedade dos sentimentos humanos propostos e traduzidos pelas palavras do hino litúrgico, é associado à dimensão imprecatória do conhecido tema do Dies irae em que o tom operático e solene da escrita do autor se manifestam, quer na totalidade do coro quer na expressividade dos solos.

Há que destacar a exigente interpretação dos solistas. A interpretação do Coro foi claramente reconhecida pelo próprio maestro, que lhes foi oferecer a flores que lhe foram tributadas. Os longos aplausos finais manifestaram o apreço com que a assembleia assinalou a interpretação deste concerto, embora tenha sido pena não se poder dispor da letra dos hinos no programa.

E apesar de a obra ter vindo e ser executada por conjuntos respeitáveis, como o Coro Gulbenkian, a sua presença entre nós, nesta região norte de Portugal, e no quadro do Festival Internacional de Órgão e de Música Sacra, constitui uma afirmação da capacidade da vivência de uma obra ímpar da música sacra e da música universal ser posta, de forma gratuita, ao alcance da população nortenha, sendo de valorizar o empenhamento e dedicação de trabalho que exigiu aos membros dos coros e certamente aos membros da orquestra, aos solistas e ao trabalho de direção e coordenação do conjunto.

Notícia: Voz Portucalense
Artigo disponível: aqui

Foto de Capa: João Lopes Cardoso

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O Coro Polifónico da Lapa é uma casa sem paredes, um festim sem mesa, um brinde sem copos. É musica que preenche todos os cantos, que entrelaça os olhares, que cimenta a união entre todos. O Coro Polifónico da Lapa é as suas gentes. Chegam de todos os cantos do mundo ao nosso país e às nossas vidas. Cada um traz consigo a riqueza dos seus dons, do seu sorriso mas também da sua cultura que nos eleva. Chegam com todas as idades e todos os saberes. Não há limitações quando se traz a música na alma. E não há maior riqueza numa comunidade do que a diversidade de todas estas cores que deixam a sua marca por onde passam, que tocam os corações com que se cruzam. Somos com orgulho, somos com amizade, somos com amor, Coro Polifónico da Lapa.

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"Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!"

Se tal evocação de Florbela Espanca nos aguça os sentidos pela poesia revestida dos tons da Primavera, não menos o faz com a mesma intensidade e elevação o Concerto de Brandenburgo No. 3 de J. S. Bach, ou em tantas outras das suas composições, com ritmos de todas as cores e brisas que refrescam-nos as emoções neste dia tão especial em que celebramos a vida de Bach. Não será coincidência o nascimento do génio da música no dia que assinala o início da primavera, consagrado Dia da Poesia. "No mundo de hoje, onde o ritmo de vida pode ser frenético, a música de Bach proporciona um refúgio – um lugar onde a complexidade da existência é destilada em momentos de pura beleza. Quer sejam experimentadas na grandeza de uma sala de concertos ou na intimidade de uma sala silenciosa, as composições de Bach têm o poder de transportar os ouvintes para um reino onde a linguagem é universal e as emoções são transmitidas através da arte do som.

O legado de J. S. Bach perdura não apenas como figura histórica, mas como criador atemporal cuja música clássica relaxante transcende fronteiras e continua a ressoar com o espírito humano. À medida que nos aprofundamos nas harmonias intrincadas e nas melodias sublimes criadas por este génio musical, somos lembrados do poder duradouro da arte para elevar a experiência humana." (Calm radio)

É com tal frescura que enaltecemos este primeiro dia de Primavera, Dia da Poesia.

Poesia que encontramos nas palavras, nos gestos, na música. Nos silêncios. Na transversalidade da arte. Também Bach era poeta. Não se lhe conhecem poemas declamados ou configurados em palavras, mas na sua linguagem da música, a sua linguagem por excelência, ofereceu à sua esposa, o "Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach". Uma ode musical que consiste de dois cadernos manuscritos com composições para teclado (minuetos, rondós, polonaises, corais, sonatas, prelúdios, musettes, marchas, gavotas) que compõe a maior parte de ambos os cadernos e umas poucas peças para voz (canções, and arias) também são incluídas. São dois cadernos de 1722 e 1725.

Um presente que lhe consagra o seu amor.

Um presente que se perpetua pela humanidade como um privilégio das gerações pós-Bach.

Privilégio que nós, Coro Polifónico da Lapa, abraçamos, apresentando a Oratória de Natal e a Missa em si menor de Bach na temporada 2025/ 2026.


Vivyane Tavares

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Falecimento do Maestro Álvaro Cassuto

07-04-2026

O Coro Polifónico da Lapa manifesta o seu mais profundo pesar pelo falecimento do Maestro Álvaro Cassuto, figura ímpar da música portuguesa, cuja dedicação, sensibilidade e elevação artística marcaram de forma indelével todos aqueles que com ele tiveram o privilégio de privar e trabalhar.

Em 2006, o Coro Polifónico da Lapa teve a honra e o privilégio de colaborar com o Maestro Álvaro Cassuto na apresentação do Requiem de Mozart, em dois concertos memoráveis realizados no Coliseu do Porto e na Igreja de São Domingos, em Lisboa, com o acompanhamento da Orquestra Metropolitana de Lisboa, no âmbito das comemorações dos 250 anos do nascimento do compositor. Essa experiência constituiu um momento de excecional grandeza artística e humana, deixando uma marca inolvidável na história e na vida do nosso coro.

Na sequência dessa colaboração, fomos profundamente tocados pelas palavras que o Maestro dirigiu ao nosso fundador, Cónego Ferreira dos Santos, e a todos os elementos do coro:

"9 de abril de 2006

Meu caro Cónego Ferreira dos Santos,

Não encontro palavras para exprimir a profunda emoção com que escrevo estas linhas!
Não só a qualidade vocal e o profissionalismo do seu magnífico Coro Polifónico, acima de tudo o calor humano que nele se reune e me inspiram, contribuíram para me convencer que o Paraíso não é só um anseio de todo o Ser Humano, mas uma realidade possível no nosso pequeno planeta!
Desde já quero dizer-lhe que tudo farei para voltar a colaborar com o seu Coro. Será não só numa honra, mas acima de tudo um anseio que espero se realize quanto antes!
Entretanto, peço que aceite um forte abraço do seu Amigo e grande Admirador

Álvaro Cassuto

Meus caros Membros do Coro Polifónico da Lapa,
Como já tive a oportunidade de dizer ao vosso talentoso Maestro Filipe Veríssimo, a vossa dedicação, qualidade vocal e, acima de tudo, calor humano, inspiraram-me muito além do que as prosaicas palavras que sei usar conseguem exprimir!
Colaborar convosco foi elevação espiritual e emotiva que me marcou profundamente. Senti-me transportado para um Mundo transcendental a que todos aspiramos e que nos parece inatingível no nosso quotidiano.
Bem-hajam! Deixaram comigo o anseio de voltar a colaborar convosco, que espero se concretize muito em breve!
Entretanto, aceitem os mais efusivos abraços do vosso,

Álvaro Cassuto"

Pouco tempo depois, o Coro foi convidado pelo Maestro para realizar concertos no Algarve, com o Requiem de Domingos Bomtempo, acompanhado pela Orquestra do Algarve. Por motivos de agenda, tal colaboração não se veio a concretizar. Ainda assim, permaneceram para sempre a amizade, o respeito e a estima mútuos. Sempre que o Maestro se deslocava ao norte para dirigir, os elementos do coro faziam questão de marcar presença, como sinal de admiração e reconhecimento.

Neste momento de profunda tristeza, em que fomos surpreendidos pela notícia do seu falecimento, pouco tempo após a realização de três concertos com Requiem de Mozart, não podemos deixar de expressar a nossa mais sincera gratidão por tudo quanto nos deu e pelo inestimável contributo que prestou à música portuguesa.

À família do Maestro Álvaro Cassuto, endereçamos as nossas mais sentidas condolências, associando-nos à sua dor e prestando homenagem à memória de um Homem e de um Músico que jamais será esquecido.


Filipe Veríssimo
FIOMS - Festival Internacional de Órgão e Música Sacra da Área Metropolitana e Diocese do Porto
Founder & Artistic Director
+351916036057

www.fioms.pt


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Mahler no 10.º aniversário da Orquestra Filarmónica Portuguesa

25-03-2026

O concerto comemorativo do 10.º aniversário da Orquestra Filarmónica Portuguesa, realizado a 17 de março na Casa da Música, teve como eixo central a Sinfonia n.º 2 “Ressurreição” de Gustav Mahler, retomando uma obra já marcante em 2024.

Sob a direção de Osvaldo Ferreira, o concerto evidenciou a maturidade artística da orquestra e a sua capacidade de renovar uma partitura de elevada exigência, afirmando-se como um dos momentos mais relevantes da temporada.

As solistas Bárbara Barradas e Cátia Moreso destacaram-se pela sensibilidade e solidez técnica, conduzindo os momentos mais introspectivos da obra, sobretudo no final de grande intensidade.

O Coro Polifónico da Lapa, dirigido por Filipe Veríssimo, e o coro da Academia de Música de Paços de Brandão, sob orientação de Catarina Marinheiro, revelaram coesão e expressividade determinantes para o impacto do desfecho.

Este concerto integra um percurso iniciado em 2024, quando a sinfonia foi apresentada em vários palcos nacionais, consolidando-se como uma experiência musical de forte impacto emocional e escala monumental.

Em 2026, a “Ressurreição” assume um caráter celebrativo, assinalando não só a década da orquestra, mas também o poder transformador da música, numa interpretação renovada que reafirma a atualidade e profundidade da obra de Mahler.


Foto de Capa: @nunoseabra_


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Tradicional Concerto de Natal na Lapa

20-12-2025

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.

A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.

O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.

O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.

O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.

A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.


Foto de Capa: @pedro.couto


Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa


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