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Deus, divino, Céu, transcendência … reportam-nos sempre para o Alto. Quando rezamos é sempre em movimento espiritual ascendente, mesmo que em reverência. Quando rogamos elevamos as mãos aos céus. Quando agradecemos, olhamos para cima. Como surgiu o Coro Alto? Qual a génese deste espaço, tantas vezes arquitetonicamente rico e singular?

Ao folhearmos livros sobre o tema, sobre história ou teses de doutoramento, percebemos logo que o caminho foi longo, complexo e difere consoante o país. Foi curioso descobrir que a origem do Coro Alto não tem um fundamento original ligado à música mas sim à hierarquia da Igreja e divisão do espaço para possibilitar a separação do colégio de sacerdotes ou monges do resto da igreja.

S. Domingos, no seu trabalho sobre “O sistema de coros nas sés portuguesas dos séculos XV e XVI” leva-nos a viajar pelas mais belas Sés ao longo da história nacional.

Durante a Primeira Idade Moderna, surgiu nas catedrais portuguesas, um modo ou sistema de dois coros específico e diferente de outros na Europa. Hoje chamado de sistema português, caracteriza-se pela existência simultânea de um Coro Baixo situado no presbitério e de um Coro Alto suspenso na retro fachada ocidental, não sendo este último uma tribuna para a música, mas um coro completo com funções partilhadas com o coro de baixo, atestando a relação entre arquitetura e liturgia nas catedrais portuguesas, ou seja, sobre a disposição do seu espaço interno e os usos das diversas partes da catedral.

E se o autor António Vasconcelos acredita que a necessidade de um Coro Alto surgiu dos ventos que se cruzavam e irrompiam pelas portas da igreja, tornando desagradável a permanência no Coro Baixo, talvez seja mais fácil acreditar que surgiu para distinguir hierarquicamente de modo mais claro as cerimónias que envolvem o bispo, daquelas que só mobilizam o cabido.

O Coro Alto era espaço reservado do cabido, estando entregues aos leigos, as naves da Igreja. A reforma dos sistemas de coro e do espaço interno das igrejas que decorreu no mundo cristão desde o século XV e culminou no Concílio de Trento não resultou em soluções espaciais ou litúrgicas uniformes em todas as regiões, e não resolveu a complicada relação visual entre coro, altar e fiéis.

Mas agora os espaços reorganizam-se e passa a haver um Altar Principal, onde decorre a celebração, e do Coro Alto recitam-se textos litúrgicos e servia para o coro, por vezes. No entanto, com a reforma litúrgica, os Coros Altos passaram a carecer de uso e muitos foram retirados, ficando perdida parte da história neste património evaporado. Os que permaneceram, e por força da evolução do papel da música na liturgia, passam a acolher grupos de cantores, ou seja, coros litúrgicos que fazem a ponte entre o clero e os fiéis que muitas vezes não dominavam o latim, ganhando o espaço caracterizado nos dias de hoje.

Se em tempos o Coro Alto assumia uma função de divisão, hoje a música que dele se projeta por toda a Igreja, tem uma função unificadora e elevatória da espiritualidade e da comunhão entre todos os cristãos. E não é de todo fácil descrever o que sente um cantor do Coro Polifónico da Lapa ao entrar no Coro Alto a cada Eucaristia. O Coro Alto é um espaço de culto harmonioso mas também uma obra de arte que apela aos sentidos dos crentes. A imponência do Monumental Órgão da Lapa que nos recebe depois de ajoelharmos perante o Altar e Nossa Senhora da Lapa.

O sentimento de missão e entrega de algo que não nos pertence, que é de todos, presente de Deus, a música … a oração cantada, a voz, a Fé inabalável que nos acomete naquele sítio elevado e iluminado pelo arco-íris dos vitrais, pelos raios de sol que irrompem das janelas, pelo brilho metálico dos tubos, pela visão única do Altar, da assembleia que preenche os espaços vazios, muitas vezes até aqueles que existem dentro de nós.

O "bom dia" entre as gentes que vivem a Palavra juntos semanalmente. A rede do companheirismo, a confiança de que seremos a nossa melhor versão na direção de excelência que sempre nos leva a bom porto, ao melhor porto. Tudo o resto caro leitor, é indescritível mas suscetível de viver, por isso, junte a sua voz à nossa para sentir o que não é exprimível em palavras.

Vivyane Tavares

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"This is the day, the day wich the Lord hath made, we will rejoice and be glad in it, this is the day"

Dos bancos da Lapa exalava o mais puro calor humano. Essa energia que chega até nós, e é uma forte componente do sucesso na performance de cada um. Vieram por aquilo que nos une, Deus e a Música. E se a música é o alimento da alma, foi servido um verdadeiro banquete. Interpretar as composições de Vivaldi, Mozart, Duruflé, Bruckner e Rutter com um alinhamento cronológico, não é abrir uma partitura, é abrir um livro e contar-vos história da música sacra, é manter viva e pulsante a criação daqueles a quem Deus inspirou no seu tempo e o homem imortalizou.

O trabalho do Coro Polifónico da Lapa fala por si.

Mas chegados a este dia, há agradecimentos que queremos endereçar.

À Irmandade da Lapa, pelo apoio, pelo entusiasmo, pela visão e pelo abraço sincero no final de cada Concerto.

Ao nosso mui querido Maestro.

Este ano foi especial pelos mais variados motivos. Os desafios foram por vezes arrebatadores. O Maestro Filipe Veríssimo foi sempre a nossa rede. Ampara-nos, motiva-nos, fortalece-nos, empurra-nos, segura-nos, abraça-nos, disciplina-nos, acrescenta-nos. Tudo entrega com uma generosidade que se supera em todos os momentos. E apesar de nada esperar, conquista a nossa amizade, admiração e carinho. Estamos aqui, estaremos aqui e vamos seguir juntos neste caminho da dignidade, da transparência, do vínculo humano, da música, do sagrado, da amizade, da vida. Faz tudo valer a pena.

Ao nosso público, a nossa gratidão e compromisso de darmos continuidade ao nosso trabalho para entregarmos a excelência que merecem.

Até breve!

Vivyane Tavares

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Julho chegou com sabor de nostalgia do que ainda não foi feito, antecipando já o fim de mais um ciclo.

Foi um ano intenso de música, muito trabalho, muito sucesso, muitos sonhos concretizados, muitas alegrias, novas parcerias e consolidação das antigas, muitas aprendizagens. Colegas novos que chegaram, outros partiram, mas as suas vozes, essas, ficam registadas no ADN da Lapa. Tal como numa aquarela, a essência de cada um funde-se num todo, numa paleta humana que se entrega a Deus, à música sacra, à assembleia, ao público e à transcendência. E somos translúcidos na tela de execução e homenagem aos grandes compositores da música sacra tradicional e contemporânea. Somos o quadro vivo e intemporal da cultura da Lapa. Para encerrar este ano, marcado indelevelmente por Mahler e a sua segunda sinfonia, apresentamos três Concertos com obras dos grandes Vivaldi, Mozart, Brukner, Duruflé e Rutter. Três Concertos de entrada livre.

Hoje abrem-se as portas da Igreja do Convento de São Francisco do Porto, às 21:30, para um Concerto do Coro Polifónico da Lapa com direção do nosso Maestro Filipe Veríssimo, no âmbito do V Ciclo de música de São Francisco.

Domingo, dia 14, estaremos naquela que já nos faz sentir em casa e é a anfitriã perfeita a cada visita, pelo acolhimento de Monsenhor Manuel Joaquim, a Igreja Paroquial de Ribeirão, às 18:00.

Quarta-feira dia 17 de Julho, pelas 21:30, terá lugar o nosso Concerto de encerramento, no dia em que foi firmada a primeira pedra da Igreja da Lapa, há 268 anos atrás, daquela que é a nossa Casa com muito orgulho, honra e devoção.

E se "aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.", esperamos levar-vos connosco, em presença, em comunhão, na música e na prece.


Vivyane Tavares

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Hoje, dia 7 de julho o Monumental Órgão de Tubos na Igreja de Nossa Senhora da Lapa, comemora 29 anos. Celebrar o aniversário deste Majestoso Órgão de Tubos, é celebrar a transcendência que o seu som permite vislumbrar tanto por quem nele executa as mais ricas obras, como por quem ouve e procura esta oferta do divino.

Para assinalar a data, a Irmandade da Lapa convidou a estrela mundialmente aclamada Shin-Young Lee, para a realização de um concerto às 21:30, com obras de Julius REUBKE (1834-1858) e Charles-Marie WIDOR (1844-1937).

A Igreja da Lapa é possuidora de um imponente órgão de tubos que pesa cerca de 34 toneladas e tem 12 metros de altura, 10 metros de largura e 5 metros de profundidade. Dispõe de 64 registos distribuídos por 4 teclados, uma pedaleira e um computador com mais de 26.000 combinações. No total, o órgão possui 4307 tubos e um carrilhão com 42 sinos.

Obra-prima do organeiro alemão Georg Jann, peça fundamental nos Concertos e Missas na Igreja da Lapa.

Por ele já passaram alguns dos melhores organistas do mundo. Cada um, contribuindo para o enriquecimento da história deste que é o rei de todos os instrumentos.


Igreja da Lapa - Porto
Filipe Veríssimo

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"Quando caminhamos de mãos dadas, chegamos juntos"*

Um coro é um grupo de cantores distribuídos por naipes segundo a tessitura das suas vozes. Sopranos, Contraltos, Tenores e Baixos, compõem um coro misto.

Ainda que afeito à música, o canto em coro vai além das questões musicais e converte-se numa atividade que envolve a sociologia, a musicoterapia, psicologia, a antropologia, a fonoaudiologia e outras ciências afins.

Cantar em coro tem origens ancestrais e sempre fez parte integrante dos rituais místicos e religiosos do ser humano, estando intimamente ligada a locais de adoração como as igrejas. Esta atividade é aliada de uma mais leve e vida feliz. São muitos os benefícios sociológicos do canto em coro. Todos os elementos do grupo devem evoluir ao mesmo nível de forma a uniformizar as prestações do coro para a harmonia final. Tal característica estimula o espírito de equipa entre os participantes, de modo que um colabora com o outro para atingir a meta do grupo. Por outro lado, o contato social entre os membros do coro contribui para a sensação de pertencimento e unidade.

Investigações científicas têm apontado para um aumento dos níveis de felicidade, além de redução de sintomas como ansiedade, stress, depressão e vícios entre os coralistas. Cantar em coro afeta positivamente a produção do cortisol e da imunoglobulina, melhorando o sistema imunológico e os processos emocionais (como a redução de stress e depressão). Isso explica porque pacientes em tratamento oncológico que são introduzidos no coro apresentam melhoria de dificuldades emocionais e também no próprio tratamento.

Mais, estudos chegaram a uma conclusão curiosa. Não são só as vozes que se harmonizam quando se canta num coro: também os batimentos cardíacos se sincronizam durante a música, acelerando e desacelerando em uníssono.

E nós, Coro Polifónico da Lapa seguimos ao nosso ritmo.

*Elis Busanello

Vivyane Tavares

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Vivemos tempos conturbados em que caminhamos dramaticamente para o completo esquecimento de que o dado primordial da condição humana é a referência ao outro. A identidade pessoal do humano só se adquire na concretude da relação, mediante laços de pertença a um meio, a um tecido relacional, a uma comunidade. Com efeito, o ser humano só se realiza e plenifica no «sincero dom de si mesmo» (Gaudium et Spes, 24), no confronto relacional e dialógico com o outro humano diferente.

No entanto, patologias comunitárias assentes num «paradigma de totalidade fechada e excludente»1 impedem a realização de uma comunidade humana capaz de efetivar a dimensão universal da fraternidade. Neste sentido, e segundo o jesuíta francês Michel de Certeau, a constituição da relação comunitária deve reger-se pelo princípio da insuficiência: «“Tu fazes-me falta”. Duas palavras, uma dupla negação, indicam a força desta experiência: “Não sem”. É impossível sem ti»2. Assim estabelecida, a comunidade - enquanto processo de radical exposição ao outro (cf. Esposito) que nos falta, e que se fundamenta no Totalmente Outro - rompe com o individualismo e a autossuficiência absoluta e acentua a interdependência, impondo uma gramática de excesso, de cuidado mútuo.

A comunidade constitui-se, então, como um processo de constante abertura ao exterior, ao que transcende (e ao Transcendente), e que se concretiza no acolhimento incondicional do próximo. Entendido não como sujeito ou categoria social, mas como evento (cf. Paul Ricoeur), o próximo supera a configuração institucional e a história, a proximidade física e as contingências da consciência intencional (cf. Levinas) para articular o universal concreto. A proximidade é a presença do outro que transpõe o tempo e o espaço; não é um estado, mas uma inquietude que nos instiga a estabelecer uma relação com o outro e nos torna responsáveis por ele.

O filósofo judeu Emmanuel Levinas expõe, brilhantemente, esta proximidade do outro pela manifestação do rosto, que não é tão-só o rosto físico, mas aquilo que me interpela e me faz por ele responsável. O outro levinasiano não é empírico nem puramente fenomenológico, mas trata-se de uma presença real que posso olhar e que me olha, no encontro face-a-face. É presença dada como exterioridade, mas que não se limita à sua manifestação exterior, pois é uma exterioridade que vem de uma interioridade.

Mais: para Levinas o rosto na sua própria verticalidade/integridade mostra-se despido, exposto e vulnerável, constituindo-se como abertura à miséria e à pobreza dos outros que estão na mesma condição. Dele advém um imperativo ético que exige justiça e acolhimento: o rosto obriga a não agir com indiferença e a exercer uma responsabilidade ilimitada e intransferível. É o rosto que dá significado à ética da alteridade, desafiando a respeitar, cuidar e promover o outro.

E é no acolhimento amoroso do rosto do outro que se dá o reconhecimento da abertura de dois corações que se geram reciprocamente; é não só a ordo amoris, mas também o amor ordinis. O mandamento do amor ao próximo é, portanto, a «única forma verdadeiramente humana de ser humano»3. Nas palavras de Emmanuel Mounier: «O ato de amor é a mais forte certeza do homem, o “cogito” existencial irrefutável: amo, logo o ser é, e a vida vale (a pena ser vivida)»4.

Rita Santos
Jornalista (CP 6370)
Mestranda em Ciências Religiosas



1 João Manuel Duque, O Próximo e a Comunidade: Breve leitura da Fratelli Tutti, 5.
2 Michel de Certeau, La faiblesse de croire (Paris: Ed. du Seuil, 1987), 112.
3 Duque, O Próximo e a Comunidade: Breve leitura da Fratelli Tutti, 17.
4 Emmanuel Mounier, Le personalism (Paris: Les Presses universitaires de France, 1949), 39.

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Falecimento do Maestro Álvaro Cassuto

07-04-2026

O Coro Polifónico da Lapa manifesta o seu mais profundo pesar pelo falecimento do Maestro Álvaro Cassuto, figura ímpar da música portuguesa, cuja dedicação, sensibilidade e elevação artística marcaram de forma indelével todos aqueles que com ele tiveram o privilégio de privar e trabalhar.

Em 2006, o Coro Polifónico da Lapa teve a honra e o privilégio de colaborar com o Maestro Álvaro Cassuto na apresentação do Requiem de Mozart, em dois concertos memoráveis realizados no Coliseu do Porto e na Igreja de São Domingos, em Lisboa, com o acompanhamento da Orquestra Metropolitana de Lisboa, no âmbito das comemorações dos 250 anos do nascimento do compositor. Essa experiência constituiu um momento de excecional grandeza artística e humana, deixando uma marca inolvidável na história e na vida do nosso coro.

Na sequência dessa colaboração, fomos profundamente tocados pelas palavras que o Maestro dirigiu ao nosso fundador, Cónego Ferreira dos Santos, e a todos os elementos do coro:

"9 de abril de 2006

Meu caro Cónego Ferreira dos Santos,

Não encontro palavras para exprimir a profunda emoção com que escrevo estas linhas!
Não só a qualidade vocal e o profissionalismo do seu magnífico Coro Polifónico, acima de tudo o calor humano que nele se reune e me inspiram, contribuíram para me convencer que o Paraíso não é só um anseio de todo o Ser Humano, mas uma realidade possível no nosso pequeno planeta!
Desde já quero dizer-lhe que tudo farei para voltar a colaborar com o seu Coro. Será não só numa honra, mas acima de tudo um anseio que espero se realize quanto antes!
Entretanto, peço que aceite um forte abraço do seu Amigo e grande Admirador

Álvaro Cassuto

Meus caros Membros do Coro Polifónico da Lapa,
Como já tive a oportunidade de dizer ao vosso talentoso Maestro Filipe Veríssimo, a vossa dedicação, qualidade vocal e, acima de tudo, calor humano, inspiraram-me muito além do que as prosaicas palavras que sei usar conseguem exprimir!
Colaborar convosco foi elevação espiritual e emotiva que me marcou profundamente. Senti-me transportado para um Mundo transcendental a que todos aspiramos e que nos parece inatingível no nosso quotidiano.
Bem-hajam! Deixaram comigo o anseio de voltar a colaborar convosco, que espero se concretize muito em breve!
Entretanto, aceitem os mais efusivos abraços do vosso,

Álvaro Cassuto"

Pouco tempo depois, o Coro foi convidado pelo Maestro para realizar concertos no Algarve, com o Requiem de Domingos Bomtempo, acompanhado pela Orquestra do Algarve. Por motivos de agenda, tal colaboração não se veio a concretizar. Ainda assim, permaneceram para sempre a amizade, o respeito e a estima mútuos. Sempre que o Maestro se deslocava ao norte para dirigir, os elementos do coro faziam questão de marcar presença, como sinal de admiração e reconhecimento.

Neste momento de profunda tristeza, em que fomos surpreendidos pela notícia do seu falecimento, pouco tempo após a realização de três concertos com Requiem de Mozart, não podemos deixar de expressar a nossa mais sincera gratidão por tudo quanto nos deu e pelo inestimável contributo que prestou à música portuguesa.

À família do Maestro Álvaro Cassuto, endereçamos as nossas mais sentidas condolências, associando-nos à sua dor e prestando homenagem à memória de um Homem e de um Músico que jamais será esquecido.


Filipe Veríssimo
FIOMS - Festival Internacional de Órgão e Música Sacra da Área Metropolitana e Diocese do Porto
Founder & Artistic Director
+351916036057

www.fioms.pt


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Mahler no 10.º aniversário da Orquestra Filarmónica Portuguesa

25-03-2026

O concerto comemorativo do 10.º aniversário da Orquestra Filarmónica Portuguesa, realizado a 17 de março na Casa da Música, teve como eixo central a Sinfonia n.º 2 “Ressurreição” de Gustav Mahler, retomando uma obra já marcante em 2024.

Sob a direção de Osvaldo Ferreira, o concerto evidenciou a maturidade artística da orquestra e a sua capacidade de renovar uma partitura de elevada exigência, afirmando-se como um dos momentos mais relevantes da temporada.

As solistas Bárbara Barradas e Cátia Moreso destacaram-se pela sensibilidade e solidez técnica, conduzindo os momentos mais introspectivos da obra, sobretudo no final de grande intensidade.

O Coro Polifónico da Lapa, dirigido por Filipe Veríssimo, e o coro da Academia de Música de Paços de Brandão, sob orientação de Catarina Marinheiro, revelaram coesão e expressividade determinantes para o impacto do desfecho.

Este concerto integra um percurso iniciado em 2024, quando a sinfonia foi apresentada em vários palcos nacionais, consolidando-se como uma experiência musical de forte impacto emocional e escala monumental.

Em 2026, a “Ressurreição” assume um caráter celebrativo, assinalando não só a década da orquestra, mas também o poder transformador da música, numa interpretação renovada que reafirma a atualidade e profundidade da obra de Mahler.


Foto de Capa: @nunoseabra_


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Tradicional Concerto de Natal na Lapa

20-12-2025

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.

A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.

O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.

O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.

O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.

A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.


Foto de Capa: @pedro.couto


Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa


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