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Foi Mahler que chamou o Pedro até nós. Graças à música, ao trabalho e às gentes, permaneceu. É que, aqui no Coro Polifónico da Lapa faz-se música. Interpretamos, vivemos, tocamos e há espaço ainda para a criação. É uma das coisas que nos diferencia, esta visão e generosidade da liderança que nos motiva, nos desafia, vê antecipadamente, faz acontecer. O Pedro foi convidado pelo Mestre-capela a escrever música sacra. Aceitou o desafio e compôs este, que é o primeiro Salmo de sua autoria. Estreou hoje na Missa Solene na Igreja da Lapa, pela voz da Alexandra Quinta e Costa e pelo Coro Polifónico da Lapa, Tiago Ferreira no órgão e direção de Filipe Veríssimo.

Ao ouvirem esta composição, é reveladora a sua contemporaneidade, leveza, doçura e paz. É que Pedro, compositor e pianista, nasceu a 22 de fevereiro de 2006 e atualmente frequenta o 12.º ano do Curso Profissional de Instrumentista de Cordas e Teclas (Piano) na Academia de Música de Costa Cabral sob a orientação do professor Jaime Mota. Em 2021, Pedro embarcou numa nova área ao iniciar os seus estudos de composição, recebendo aulas particulares do professor Evgueni Zoudilkine, docente da Universidade de Aveiro. Pretende prosseguir os estudos de composição na Escola Superior de Música de Lisboa e o Coro Polifónico da Lapa e o seu Maestro orgulham-se de serem presença neste currículo, cujos passos o Pedro escolheu dar.

Vivyane Tavares

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Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo.
A sua religião não tem valor algum!

(Tiago 1:26)

Hoje celebramos Deus.

Simples assim, celebramos Deus.

São Patrício explicava o mistério da Santíssima Trindade comparando com um trevo. Dizia que cada folha é diferente, mas as três formam o trevo. E o mesmo acontece com Deus, onde cada um de nós é Deus e formamos a Santíssima Trindade.

Em nome de Deus são feitas as obras mais belas, mais relevantes, mais humanas, mais corajosas, mais caridosas e mais bondosas.

Cristão que me lês, atenção! Também em nome de um deus, que não é o mesmo, são cometidas injustiças, crimes e atrocidades todos os dias.

Como reconhecer se o Homem fala em nome de Deus?

E quando digo Homem, digo a Rita, a Luísa, a Ana, Miguel, Simão, Filipe, Maria, Manuela, José, Jesus, Judas, porque todos temos nomes, todos devemos honrar em primeiro lugar o nosso nome. E só podemos honrar o nosso nome se formos dignos e honrarmos o nome do próximo.

Para reconhecermos se o Homem fala em nome de Deus, devemos abrir a Sagrada Escritura, principalmente o Novo Testamento, e ler com o coração, o que Jesus, o Verbo Encarnado, nos diz. Simples assim.

São Paulo na sua Carta aos Coríntios conduz-nos à resposta: o homem deverá deixar-se transfigurar através dos dons, das qualidades divinas, sobretudo através do amor, do perdão e do serviço.

O mistério da Trindade não pode ser deslindado, precisamente por ser… um mistério. Mas podemos senti-lo revelado em nós:

- Quando “fazemos o bem, sem olhar a quem”;

- Quando procuramos o Caminho dentro de nós e não nas vãs palavras dos outros;

- Quando escutamos a Deus e não às línguas sem valor, mesmo que se digam imbuídas da mais alta moralidade oca, vã e abjeta;

- Quando travamos as indignidades e inverdades que nos chegam aos ouvidos, mas a nossa boca não repete, porque escolhemos ser luz;

- Quando não julgamos o próximo, porque escolhemos ser justos;

- Quando escolhemos ser amor, perdão e serviço, escolhemos ser trinitários.

Deus convida a Igreja a ser e a viver à Sua imagem e semelhança, a ser e a viver em perfeita comunhão de amor. Eu aceito este convite com toda a humildade e força. E tu querido leitor? E tu? Vais ser soldado de Deus ou escravo do homem?

Liberta-te na Santíssima Trindade. Abraça o mistério e vem sentir a transcendência do majestoso Órgão de Tubos da Igreja da Lapa, tua Casa, nossa Casa e das nossas vozes em comunhão, as nossas vozes são vossas.

Todos juntos somos uma só Voz trinitária com Deus.

Atentemos nas sábias palavras do nosso Reitor Agostinho Pedroso, em 20 de setembro de 1984

“Será que a música ajuda a penetrar o mistério?

Podemos então dizer que a linguagem dos sons criada pelo homem torna-se um símbolo humano. Eis o serviço que a música presta à Palavra; e eis, também, a importância do cantar: uma frase que se deseja percebida e vivida; uma palavra-chave que se quer sublinhar; ou uma simples sílaba com a qual podemos jubilar, diríamos mesmo brincar (no sentido mais elevado do termo).

E a Liturgia tem necessidade deste elemento. (…)

Mas o canto tem ainda uma capacidade excecional de fazer comunidade. (…)

Não esqueçamos que tudo o que compõe o ambiente no qual se desenrola a celebração deverá levar o homem à abertura ao símbolo e daí à contemplação do mistério.”

Nas palavras do Reitor está a assunção do valor inestimável do trabalho prestado pelo Coro Polifónico da Lapa, desde 1998 até à data. Sempre a procurar elevar a comunidade à contemplação do mistério. E este é o dia! O dia da Solenidade da Santíssima Trindade.

Nas palavras do Reitor vive a consagração da importância da função do Mestre-Capela na liderança do Coro, nesta busca da elevação espiritual da comunidade, pois ainda afirma:

“Aprendamos a mover-nos dentro da complexidade dos elementos e categorias sociais, culturais, religiosas e musicais e estaremos a favorecer o aparecimento de assembleias mais lúcidas e completas, assembleias que serão o exemplo vivo de que «celebrar cantando» e tocando é estar mais próximo do mistério cristão vivido em cada celebração.”

Recentemente, o Reverendíssimo Bispo do Porto, D. Manuel Linda foi homenageado pelo Observatório Internacional de Direitos Humanos como “Embaixador da Paz, da Boa Vontade e da Tolerância”, uma distinção que atribuiu à “Igreja do Porto”, disse:

“Um reconhecimento de algo que não sou eu que faço, mas é a Igreja do Porto, que procura estar com atenção aos direitos das pessoas. ”(Ecclesia)

Esta atenção aos direitos das pessoas é a rede de segurança da nossa comunidade cristã. O saber que tudo será feito para repor a justiça na Igreja, independentemente, da justiça estar já a ser feita pela lei dos homens.

D. Manuel Linda afirma que a maledicência é "mais típica do diabo, que é mentiroso e pai da mentira, do que de cristãos que formam todos o mesmo corpo e que se alimentam do corpo e sangue do Senhor” e pede o fim da maledicência na Igreja. (Henrique Cunha, rádio renascença)

Contudo, façam isso com mansidão e respeito, conservando boa consciência, de forma que os que falam maldosamente contra o bom procedimento de vocês, porque estão em Cristo, fiquem envergonhados de suas calúnias.

(1 Pedro 3:16)

A maledicência atualmente é exponencialmente veiculada por pessoas da comunidade que podem sofrer dos mais variados síndromes, por exemplo, transtorno histriónico, mitomania ou só pura escuridão. A maledicência entra nas nossas casas pela porta sempre aberta da internet. Compete a cada um de nós expulsá-la das nossas vidas, dos nossos corações, da nossa comunidade cristã e viver a transcendência espiritual na Eucaristia, juntos.

"Não espalharás notícias falsas, nem darás a mão ao ímpio para seres testemunha de injustiça."

(Êxodo 23:1)

É como eu digo… simples assim.

Vivyane Tavares

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A expectativa era grande, o entusiasmo patenteado no olhar, e ao entrarmos na sala do piano era-nos entregue a partitura imaculada da "Missa de Requiem" de Giuseppe Verdi. 

Folheamos puerilmente para absorver o aroma das folhas intocadas como no primeiro dia de escola. A tinta da caneta marcava o nosso nome naquele pedacinho de história de capa verde pastel. O peso corresponde à duração de noventa minutos de peça.

Há 150 anos, no dia de hoje, 22 de maio, era pela primeira vez apresentada esta magnífica obra para marcar o primeiro aniversário da morte de Alessandro Manzoni, um poeta e romancista italiano que Verdi admirava profundamente, daí que esta Missa seja por vezes ainda referida como "Requiem de Manzoni".

Nesse dia, o próprio Verdi regeu a obra, com todo o sentimento de homenagem, por aquele que o inspirou a rapidamente concluir este Requiem que inicialmente não lhe era dedicado, mas foi de tal forma impactante a sua influência no compositor, que foi para Manzoni que a rematou e devotou.

Com os seus caracóis fartos grisalhos, barba branca e bigode de pontas, na Igreja de São Marcos em Milão, Verdi fez soar a primeira nota de “Requiem e Kyrie eleison”. Seguiam-se ritmos vigorosos, melodias sublimes e contrastes dramáticos com igual caráter das suas óperas, levando o público a viver as fortes emoções marcadas pelo texto, num ambiente fúnebre de súplica e esperança..."Requiem aeternam dona eis, Domine”, ou seja, "concedei-lhes descanso eterno, ó Senhor".

"Dies Irae" chega com compassos de familiaridade e pulsa no ouvinte interiormente, como que trespassado pelos metais, num sentimento de Juízo Final resultante das marcações de quádruplo fortíssimo nos metais e no coro, fazendo desta, uma das obras musicais de volume mais elevado já produzidas sem o uso de amplificação. E súbito, "Ingemisco" com uma entrada "a capella" do tenor Giuseppe Coppini implorando o perdão do Senhor em tons e ritmos expressivos de esperança. E talvez até a "Madonna" de Lomazzo que lá adorna as seculares paredes, tenha vertido uma lágrima na bela "Lacrimosa", composta por Verdi a partir do dueto "Qui me rendra ce mort? Ô funèbres abîmes!", do quarto ato de sua ópera Don Carlos.

Desde esse dia há 150 anos, foi executada em diversos lugares e países, apresentada sete vezes na Opéra-Comique de Paris, e em Veneza excederam- se na decoração bizantina concebida para a ocasião. Correu mundo e chegou à Igreja da Lapa, está nas mãos do Coro Polifónico da Lapa e do seu Maestro, e diariamente acompanha o Jorge (baixo), cuidadosamente acondicionada na sua mochila, porque levamos sempre connosco aquilo que nos é mais precioso. E é assim que a nossa bagagem vai ficando mais rica sem ficar mais pesada.

Vivyane Tavares

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Quando era pequenina tinha sempre dificuldade em perceber o que era o Espírito Santo. O Espírito Santo não é uma história da Bíblia. É a nossa memória trinitária. Vive no presente em cada um de nós. É o cordão umbilical inquebrável que nos une a Deus, que permite que Jesus seja Casa connosco e nós Casa com Ele. E todos nós, repletos de Espírito Santo, somos massa viva e pulsante que forma a unidade da Igreja. Uma Igreja repleta de pecadores, mas também de muita esperança. O primeiro dom de cada existência cristã é o Espírito Santo. Não é um dos muitos dons, mas o Dom fundamental. Ele é a memória de Deus em nós, então saibamos honrar o Pai, praticando o bem. A minha maior arma enquanto cristã é a minha voz e empunho partituras, papel e caneta. Rezo para que seja o Espírito Santo a trabalhar em mim e a inspirar as minhas palavras para que cheguem ao coração dos homens com a Verdade. A palavra , a verdade, são a legitimidade do homem cristão, pois mostram sempre a sua dignidade e o seu caráter. É insusceptível de ser fragmentada. É inteira. É sólida. É pedra. É una. É Espirito Santo. Não há brisa, vento ou tempestade que a possam levar.

O Papa Francisco dizia em homilia: "...na vida haverá dor. Paulo e Silas foram açoitados e sofreram, “mas estavam cheios de alegria, cantavam…”. Isso é juventude. Uma juventude que te faz olhar sempre a esperança. É isso, avante! Mas, para ter essa juventude é necessário um diálogo quotidiano com o Espírito Santo, que está sempre ao nosso lado. É o grande presente que Jesus nos deixou: esse apoio, o que nos faz seguir em frente."

Não é mais estranho para mim, ver pessoas que são sempre alegres, mesmo nos momentos de provação, porque agora sei que é o Espírito Santo presente nelas. Esse é o exemplo que quero seguir.

Que no dia de Pentecostes, Dia do Nascimento da Igreja, Dia da Revelação da Verdade, Dia do Triunfo da Luz sobre as Trevas, o Espírito Santo esteja contigo e comigo, e no dia seguinte, e depois e depois.

O Espírito Santo não entra num coração triste. Sou alegre e canto.

Vivyane Tavares

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O Mensageiro  

Ângelo significa "mensageiro" ou "anjo". É um nome que carrega uma missão celestial. O Padre Ângelo Sequeira, fundador da instituição religiosa da Lapa, recebeu a inspiração de Nossa Senhora da Lapa, a quem foi devoto durante toda a vida, e dedicou-se pela palavra a chamar todos com quem se cruzava a partilharem da sua devoção. Alicerçou a primeira pedra de fé daquela que é hoje a Festa da Nossa Senhora da Lapa, festa em sua honra onde celebramos a sua presença nas nossas vidas, nos nossos corações, e o acolhimento, colo e orientação que nos dá sempre que a si recorremos.

A Tradição

A tradição desempenha um papel fundamental na formação da nossa identidade, ela conecta-nos às nossas raízes, cria um colo de pertencimento e vinca a marca de quem somos e de onde viemos, e como presente para as gerações futuras, as pessoas mantêm vivas as tradições na Igreja da Lapa. Pelas suas modestas e ricas mãos é adornado o altar e todo o edifício sagrado, com as mais delicadas flores. Entram em missão pelos imponentes portais para o sagrado, e perfumam os quatro cantos com a dedicação com que veneram. Quando contemplamos as flores, contemplamos a beleza do amor dos devotos, que oferecem a flor como símbolo da sua entrega de oração e amor. Sempre que da boca do homem é proferida a verdade, são duas vozes que falam, a do homem e a de Deus. A flor representa a estima, o amor, a nossa verdade e o fruto que sobrevirá. Ao oferecermos uma flor, entregamos a nossa alma à Nossa Senhora da Lapa.

A Música

Nossa Senhora da Lapa extravasa o edifício, está nas ruas, na alegria da partilha do pão, seja em forma de farturas quentes e doces, seja em forma de sorrisos generosos que alimentam a alma. A mesa está posta, a comunhão está servida. A música surge neste contexto de entrega e oração. Na Festa onde a comunidade está envolta no manto adornado da Senhora da Lapa que apura todos os sentidos para que todos sintam a sua alma elevada. Aos cânticos tradicionais do Padre Ferreira dos Santos, juntaram-se outros , desta vez, Bruckner com uma sonoridade transcendente na Missa Solene com "Ave Maria" e "Tolta Puchra es", que teve como intérpretes o Coro Polifónico da Lapa, Mariana Araújo, salmista, António Leitão da Silva, solista, Miguel Flecha no oboé, Tiago Ferreira no órgão e o Quinteto de metais e tímpanos da Lapa constituído por Rúben Castro e Flávio Pereira nos trompetes, Nuno Costa na trompa, Tiago Nunes no trombone, Romeu Silva na tuba e Jacob Oliveira nos tímpanos, com direção do Mestre-Capela Filipe Veríssimo. O Salmo com uma mensagem de apelo tão atual hoje, como foi ontem e como será amanhã "Escuta e inclina-te" e o tradicional Concerto Mariano que nos sublimou com obras de Bach, J. Clarke, Handel, J. Stanley, Purcell, C. Saint-Saëns, César Frank, e encerrou as festividades da forma mais graciosa na voz divina da Alexandra Quinta e Costa, no som embaixador do trompete de Rubén Castro e na sonoridade única do majestoso Orgão de Tubos pelas mãos resolutas de Filipe Veríssimo. O espírito da festa propaga-se pelos ecos da história, e tal como as frágeis flores cujo perfume se extingue no momento, o fruto que lhes sobrevirá, esse será sempre vida presente.

Vivyane Tavares

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Sob a batuta hábil e inspiradora do Maestro Osvaldo Ferreira, a 2ª Sinfonia de Mahler "Ressureição" ganhou vida numa série de concertos memoráveis, envolvendo a Orquestra Filarmónica Portuguesa, o Coro Polifónico da Lapa, o Coro Lisboa Cantat e as solistas Cátia Moreso, Bárbara Barradas e Patrícia Quinta. Esta odisseia musical levou os ouvintes por diferentes cenários, desde a grandiosidade da Aula Magna até à serenidade da Igreja da Lapa, passando por Santarém, Viseu e culminando no Europarque, em Santa Maria da Feira.

Em cada local, a música de Mahler foi recebida com reverência e entusiasmo, cativando o público com as suas paisagens sonoras vastas e emocionalmente ricas. A habilidade do Maestro Osvaldo Ferreira em guiar a orquestra, os coros e as solistas através das complexidades desta sinfonia monumental foi verdadeiramente notável.

As cantoras solistas, Cátia Moreso, Bárbara Barradas e Patrícia Quintaadicionaram uma dimensão vocal sublime à obra de Mahler. Com a sua emoção palpável, deram vida aos ricos e complexos temas da sinfonia.

O Mestre Capela e organista titular da Igreja da Lapa, Filipe Veríssimo, reconhecido pela sua maestria no órgão, emprestou uma aura de esplendor aos concertos realizados.

Destaque-se também a contribuição dos coros, cujas vozes acrescentaram uma dimensão vocal impressionante à obra de Mahler. O Coro Polifónico da Lapa e o Coro Lisboa Cantat demonstraram uma expressividade emocional notável, complementando magistralmente a performance da orquestra sob a direção do Maestro Osvaldo Ferreira.

Em cada paragem desta jornada musical, o público foi levado numa viagem emocional profunda. A 2ª Sinfonia de Mahler, sob a direção do Maestro Osvaldo Ferreira, foi mais do que um concerto; foi uma experiência que ficará gravada na memória dos que tiveram o privilégio de testemunhá-la. Este ciclo de concertos não apenas celebrou a genialidade de Mahler, mas também demonstrou a capacidade da música de unir e inspirar pessoas de todas as origens e idades, provando que, mesmo num mundo em constante mudança, a beleza intemporal da música continua a ecoar através dos séculos.

José Seabra

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Falecimento do Maestro Álvaro Cassuto

07-04-2026

O Coro Polifónico da Lapa manifesta o seu mais profundo pesar pelo falecimento do Maestro Álvaro Cassuto, figura ímpar da música portuguesa, cuja dedicação, sensibilidade e elevação artística marcaram de forma indelével todos aqueles que com ele tiveram o privilégio de privar e trabalhar.

Em 2006, o Coro Polifónico da Lapa teve a honra e o privilégio de colaborar com o Maestro Álvaro Cassuto na apresentação do Requiem de Mozart, em dois concertos memoráveis realizados no Coliseu do Porto e na Igreja de São Domingos, em Lisboa, com o acompanhamento da Orquestra Metropolitana de Lisboa, no âmbito das comemorações dos 250 anos do nascimento do compositor. Essa experiência constituiu um momento de excecional grandeza artística e humana, deixando uma marca inolvidável na história e na vida do nosso coro.

Na sequência dessa colaboração, fomos profundamente tocados pelas palavras que o Maestro dirigiu ao nosso fundador, Cónego Ferreira dos Santos, e a todos os elementos do coro:

"9 de abril de 2006

Meu caro Cónego Ferreira dos Santos,

Não encontro palavras para exprimir a profunda emoção com que escrevo estas linhas!
Não só a qualidade vocal e o profissionalismo do seu magnífico Coro Polifónico, acima de tudo o calor humano que nele se reune e me inspiram, contribuíram para me convencer que o Paraíso não é só um anseio de todo o Ser Humano, mas uma realidade possível no nosso pequeno planeta!
Desde já quero dizer-lhe que tudo farei para voltar a colaborar com o seu Coro. Será não só numa honra, mas acima de tudo um anseio que espero se realize quanto antes!
Entretanto, peço que aceite um forte abraço do seu Amigo e grande Admirador

Álvaro Cassuto

Meus caros Membros do Coro Polifónico da Lapa,
Como já tive a oportunidade de dizer ao vosso talentoso Maestro Filipe Veríssimo, a vossa dedicação, qualidade vocal e, acima de tudo, calor humano, inspiraram-me muito além do que as prosaicas palavras que sei usar conseguem exprimir!
Colaborar convosco foi elevação espiritual e emotiva que me marcou profundamente. Senti-me transportado para um Mundo transcendental a que todos aspiramos e que nos parece inatingível no nosso quotidiano.
Bem-hajam! Deixaram comigo o anseio de voltar a colaborar convosco, que espero se concretize muito em breve!
Entretanto, aceitem os mais efusivos abraços do vosso,

Álvaro Cassuto"

Pouco tempo depois, o Coro foi convidado pelo Maestro para realizar concertos no Algarve, com o Requiem de Domingos Bomtempo, acompanhado pela Orquestra do Algarve. Por motivos de agenda, tal colaboração não se veio a concretizar. Ainda assim, permaneceram para sempre a amizade, o respeito e a estima mútuos. Sempre que o Maestro se deslocava ao norte para dirigir, os elementos do coro faziam questão de marcar presença, como sinal de admiração e reconhecimento.

Neste momento de profunda tristeza, em que fomos surpreendidos pela notícia do seu falecimento, pouco tempo após a realização de três concertos com Requiem de Mozart, não podemos deixar de expressar a nossa mais sincera gratidão por tudo quanto nos deu e pelo inestimável contributo que prestou à música portuguesa.

À família do Maestro Álvaro Cassuto, endereçamos as nossas mais sentidas condolências, associando-nos à sua dor e prestando homenagem à memória de um Homem e de um Músico que jamais será esquecido.


Filipe Veríssimo
FIOMS - Festival Internacional de Órgão e Música Sacra da Área Metropolitana e Diocese do Porto
Founder & Artistic Director
+351916036057

www.fioms.pt


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Mahler no 10.º aniversário da Orquestra Filarmónica Portuguesa

25-03-2026

O concerto comemorativo do 10.º aniversário da Orquestra Filarmónica Portuguesa, realizado a 17 de março na Casa da Música, teve como eixo central a Sinfonia n.º 2 “Ressurreição” de Gustav Mahler, retomando uma obra já marcante em 2024.

Sob a direção de Osvaldo Ferreira, o concerto evidenciou a maturidade artística da orquestra e a sua capacidade de renovar uma partitura de elevada exigência, afirmando-se como um dos momentos mais relevantes da temporada.

As solistas Bárbara Barradas e Cátia Moreso destacaram-se pela sensibilidade e solidez técnica, conduzindo os momentos mais introspectivos da obra, sobretudo no final de grande intensidade.

O Coro Polifónico da Lapa, dirigido por Filipe Veríssimo, e o coro da Academia de Música de Paços de Brandão, sob orientação de Catarina Marinheiro, revelaram coesão e expressividade determinantes para o impacto do desfecho.

Este concerto integra um percurso iniciado em 2024, quando a sinfonia foi apresentada em vários palcos nacionais, consolidando-se como uma experiência musical de forte impacto emocional e escala monumental.

Em 2026, a “Ressurreição” assume um caráter celebrativo, assinalando não só a década da orquestra, mas também o poder transformador da música, numa interpretação renovada que reafirma a atualidade e profundidade da obra de Mahler.


Foto de Capa: @nunoseabra_


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Tradicional Concerto de Natal na Lapa

20-12-2025

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.

A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.

O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.

O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.

O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.

A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.


Foto de Capa: @pedro.couto


Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa


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